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Um novo olhar sobre a infância – Just So Brasil
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Um novo olhar sobre a infância

Se você tem filhos pequenos ou convive com famílias que tem filhos pequenos, certamente já percebeu que novas formas de educação e convívio adulto-criança vêm surgindo. Como em vários aspectos da vida, parece que os antigos modelos já não nos servem e estamos num momento de criar novas organizações, novas formas de nos relacionarmos, abrir novos olhares, novas escutas, novas atitudes.

 

O mais legal de viver esse momento é que não há nada pronto, tudo está em criação e experimentação, mas o primeiro passo é claro: há um olhar mais atento para a infância. Estamos nos permitindo saborear a infância de nossos filhos e entrar em contato com a nossa própria – a que foi e a que sempre é.

 

Pois então olhemos para a infância. O que ela nos diz? O que ela nos pede?

 

A infância pede tempo. A infância acontece em outro ritmo. Os adultos que têm o privilégio de observar uma infância acontecendo perceberão esse ritmo. Compreender o ritmo da infância é deixar nossas crianças brincarem livremente, experimentarem, descobrirem, observarem. Em alguns momentos estaremos juntos nessas brincadeiras, experimentações, descobertas e observações, vivendo nossa própria infância em companhia da infância-criança que nos traz essa oportunidade; mas, na maioria das vezes, sairemos do cenário e ficaremos apenas cuidando para que esses preciosos momentos não sejam quebrados, vivendo nosso papel adulto de proporcionar conforto e segurança aos pequenos sob nossa guarda.

 

Portanto, a infância pede também presença. Cuidar do conforto, cuidar da segurança, cuidar do ritmo, cuidar do tempo, saber participar, saber sair e saber tirar a criança do momento, porque os momentos também devem acabar, porque a vida é cíclica, porque tudo tem começo, meio e fim. E cabe a nós, adultos no exercício de nossa “adulteza”, orquestrarmos esses ciclos dos momentos infantis. Não é nada complicado, talvez só precise de um pouco de treino. Treino de estar no aqui e agora, de estar no real e deixar o virtual de lado. Isso é presença.

 

Uma dica pra mergulhar no real é a proximidade com a natureza. E não precisa ser aquela natureza idealizada, morar numa comunidade, tirar férias nas montanhas ou na fazenda de sabe-se lá quem. Claro, quanto mais natureza, melhor; quanto mais selvagem e pura, melhor; mas também quanto mais real, mais viável, melhor! Pode ser a natureza de um vaso de planta. Pode ser o inseto na grama do micro jardim do prédio. Pode ser o céu – o sol, as nuvens, a chuva, a lua, as estrelas.

 

Estar próximo da natureza é, antes de mais nada, honrar a natureza na qual estamos inseridos.

 

Outra dica pra se aprofundar no real é se aproximar das pessoas. Sim, parece estranho, mas pense: como estão suas relações pessoais? Como estão suas conversas fora do ambiente virtual? Não vale nem telefone, tem que ser ao vivo mesmo! Olho no olho, calor humano, abraços e apertos de mão.

 

As memórias afetivas são construídas a partir de relações reais, vivas. Busque as boas memórias da sua infância. Como elas foram construídas? Deve ter cheiro de comida boa, deve ter uma história engraçada “daquele dia que”, deve ter a lembrança de um objeto, de alguma casa, de um carro.

 

A infância pede vínculos. Como seus filhos estão construindo as memórias afetivas deles? Quanto tempo eles passam com pai, mãe, irmãos, primos, avôs, avós? Se sua família não tem todas essas categorias, não tem problema, mas cuide dos vínculos entre as que existem. Cuide também dos vínculos não familiares, converse com vizinhos, com a moça da padaria, com o tio da banca de revista, com o cobrador do ônibus.

 

Não precisa esforço, basta estar aberto e atento. E a criança ao seu lado vai aprendendo – ou deixando de desaprender – a criar vínculos com as pessoas. Não porque você deu uma aula, um sermão ou uma lista de instruções, mas porque ela viu você se relacionando com elas.

 

E, estando no real, no aqui e no agora, você afinará sua percepção. Você cuidará naturalmente do tempo, da presença, dos vínculos. A qualidade das suas experiências e das que você proporcionará às crianças ao seu redor atingirá um nível sublime. Você não levará seu filho a “qualquer coisa pra criança” só porque acha que precisa proporcionar a ele um momento de lazer; você escolherá um programa delicioso, que agrade a todos, inclusive a você, porque simplesmente vocês querem estar juntos, vocês querem construir suas memórias afetivas, vocês querem dar risada juntos, comer comida boa juntos, estar lado a lado, compartilhar um olhar, uma surpresa, um momento susto-alívio, enfim, a vida!

 

Tudo isso pode acontecer dentro de casa, mas será tanto mais rico e diverso quanto mais elementos de natureza e pessoas você puder ir adicionando. Vá sentindo, se dê ao luxo de experimentar, de sair da rotina, do previsível. E esteja aberto ao novo, que o novo sempre vem!

 

Esse texto foi mais um presente escrito pela Carolina Mathias para o blog do Just So Brasil. Você encontra mais escritos da Carol nos blogs Aralume e O Filho do Aralume.