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Não corre! – Just So Brasil
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Não corre!

Você já reparou como pais de crianças pequenas costumam proferir essa frase? No parquinho: “Não corre!”, no clube: “Não correee!!!”, em casa: “Não corre!”, em casas de visitas: “Não coooooorreeeeeeeee!!!”.

Gente, deixa a criançada correr!

 

Criança precisa correr, ainda mais os que estão descobrindo esse prazer, acabaram de firmar o andar e de repente descobrem que podem correr! Podem? Não, tem sempre uma mãe maluca, uma avó cansada, um pai sem paciência dizendo “Não corre!”.

 

Qual o problema de correr?!

 

Cair? Cai, levanta! Ok, existem lugares perigosos, existem situações verdadeiramente perigosas, mas na maioria das vezes o prejuízo não passa de um joelho ralado e um choro que logo se resolve.

 

(ABRE PARÊNTESES) Aproveitando o ensejo, gostaria de chamar a atenção para o famigerado “não foi nada” que se segue aos tombos e cia. Não foi nada uma ova! Tá doendo, tá doendo a dor do joelho ralado, tá doendo a dor da frustração (“poxa, estava tão bom correr!”), tá doendo a dor da vergonha. Não sei se você se lembra do seu último tombo, ou mesmo aquela topada do dedão no pé da cama. Doeu pra chuchu! Ou se você lembra quando estava tentando fazer alguma coisa e de repente virou tudo, deu errado, que saco! Se alguém viesse te dizer “não foi nada” era capaz de levar uma resposta mal educada. Mas a criança não, a criança tem que engolir o choro e desqualificar o que está sentindo. Mas está sentindo, e aí? Não precisa dramatizar. É só falar “poxa, você caiu, tá doendo né?” Dá um colo, dá um abraço, um beijinho, assopra. Pronto, passou! Mas não vai me falar “pronto, passou” assim que a criança caiu, enquanto está aos berros. (FECHA PARÊNTESES)

 

Pais, mães, avós, cuidadores, vamos meditar sobre o que é proteção e o que é sufocamento. O que é proteção e o que é subestimar a capacidade da criança (isso é o que mais vejo, na verdade).

 

Proteger é proporcionar um ambiente seguro para que a criança possa se desenvolver livremente (mas não vai me deixar a criança trancada num quarto forrado de EVA, rs… esse ambiente pode até ser seguro para machucados, mas é uma violência para o cérebro!). Proteger é ensinar que em chão molhado não se corre. Mas deixar a criança correr tranquila quando vê um amiguinho vindo lá longe no parque.

 

Se o calçado da criança não é adequado pra correr, me desculpe, mas esse não é um calçado adequado pra criança!

 

E pra terminar, uma provocação filosófica:

Que tal nós, adultos, que vira e mexe bradamos “Não corre!”, tentarmos praticar nosso próprio conselho, freando o ritmo de vida maluco que temos levado?! Que tal observarmos nossas próprias atitudes apressadas e diminuirmos a densidade de compromissos/hora?

 

Agora é a minha vez: “Não corre, galera!”

 

Esse texto foi mais um presente escrito pela Carolina Mathias para o blog do Just So Brasil. Apareceu pela primeira vez aqui e você encontra mais escritos da Carol nos blogs Aralume e O Filho do Aralume.