Topo
Sobre mulheres e lobas – Just So Brasil
fade
3673
single,single-post,postid-3673,single-format-gallery,eltd-core-1.0,flow-ver-1.0.1,,eltd-smooth-page-transitions,ajax,eltd-grid-1300,eltd-blog-installed,page-template-blog-standard,eltd-header-vertical,eltd-sticky-header-on-scroll-up,eltd-default-mobile-header,eltd-sticky-up-mobile-header,eltd-dropdown-default,wpb-js-composer js-comp-ver-4.9.2,vc_responsive

Sobre mulheres e lobas

Faz algum tempo que penso com muito carinho nas reuniões do Just So. Primeiro, elas diferem completamente do que acontece no ambiente corporativo; tem sempre um a mais acontecendo, quase numa máxima; se não tem filho circulando, estamos em um espaço público com livre circulação de pessoas.

Encaro esses momentos como uma confirmação de nossa tão característica capacidade de “concentração multifocalizada”. Dress code e demais regras básicas de organização de uma reunião empresarial são superficialidades normalmente relegadas no nosso ambiente produtivo (e criativo). Aí eu me pergunto: o que ainda me faz chamar esse encontros de reuniões?

Longe de ser uma discussão semântica, acho importante dizer que tenho uma forte convicção na infinitude do espírito e, talvez por isso, sinta que as muitas coincidências que essa caminhada nos apresenta surgem para reforçar a certeza de que efetivamente fazemos parte de uma grande tribo que aos poucos se (re)une, num movimento orgânico, intrínseco e empoderador.

Resiliência definitivamente é uma palavra que representa a grande maioria das mulheres que o festival colocou em nossos destinos. Começar de novo, aceitar novos desafios com disposição para mudar a própria história, a dos filhos, da família, da comunidade… é parte preciosa dessas biografias.

Tomando o nosso encontro da semana passada com Elisa e Janaína, as queridas mães, mulheres e empreendedoras da Mamusca, como exemplo: todas estudamos e tentamos uma “carreira formal”, a maioria de nós passou pelo mundo corporativo, mas o empreendedorismo inerente nos fez acreditar que é possível realizar algo novo, ousado – ainda que trabalhoso – em prol de um futuro mais humano.

E porque somos humanas e reconhecemos esse fato, não foram raras as vezes que tive a oportunidade de experimentar, como protagonista ou expectadora, momentos em que o acúmulo de funções entre a empreendedora e a mãe atingiram níveis limítrofes.

Cansaço, ansiedade, estresse e, invariavelmente, lágrimas, também vêm fazendo parte desta jornada. Entretanto, tenho confirmado que as grandes lições são ensinadas da forma mais singela, mística e sagrada: na trivialidade do dia-a-dia que livremente escolhemos viver.

Em um de nossos encontros de trabalho, acompanhada de minha joia Serena, entediada e inconveniente, me vi pela milionésima vez pedindo que ela tivesse mais um pouco de paciência, ainda que eu já estivesse realmente ultrapassado os limites da minha.

Como alternativa, peguei algumas folhas de papel e um punhado de giz, a levei pela mão para uma mesa distante de mim e pedi que desenhasse um pouco. Retornei aos meus afazeres frustrada, culpada e impotente, realmente desejando me levantar e correr para casa.

Porém, em poucos minutos, minha filha aparece com um sorriso maroto no rosto, mostra seus desenhos e, com a inocência característica de qualquer criança de 7 anos, me pergunta: “Mãe, é assim o seu trabalho?”.

Paro, olho e encontro no papel: árvores, corações, sorvetes, balões, um homem que parece fazer uma declaração de amor, um casal e seu bebê. E então as lágrimas chegam para confortar meu agitado coração. Sem entender direito o porquê da minha emoção, Serena me olha com compaixão e conclui: “Não chora, mãe, até o Sol está feliz com tudo isso!”

 

A luz do sol

Passada a noite

Veio clarear o dia

A alma acorda

Com força nova

Do sono que dormia

Tu minha alma

Dê graças a luz

Pois dentro dela

O poder do sol reluz

Tu minha alma

No dia a ressurgir

Tu sejas capaz de agir

 

Rudolf Steiner (Verso para o segundo setênio – 7 a 14 anos)

 

Texto escrito pela Ana, especialmente dedicado à Isabela, Janaína e aos seus bebês!